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A MISSÃO
A Missão… é o pedaço da Igreja que me foi confiado na Suíça, para quem eu
trabalho como PADRE. Cheguei aqui em 1977... o mandato era por 3 anos. Depois porém, as
necessidades locais e, mais adiante ainda, a minha saúde, forçaram-me a ir ficando. Cá
vou estando, e mexendo, até muito breve, enquanto Deus quiser!
À minha chegada... havia um colega, o Padre Edmundo Alves já falecido,
que olhava pela imigração portuguesa que estava na Suíça de língua alemã.
Eu fiquei na Suíça francófona, numa zona enorme, onde a dispersão dos Portugueses e as
distâncias tornavam o trabalho numa “missão impossível” com o consequente
sofrimento de nunca julgar fazer todo o possível... porque o que era necessário, e me satisfaria,
era o impossível!
Antes de mim, tinha havido qualquer coisa aqui... mas a verdade é que comecei, não do zero, mas do negativo.
Os Portugueses éramos cerca de uns cinco mil... oficialmente... mas não na realidade que
era muito maior, porque corriam os tempos heróicos dos “clandestinos” ...
uma multidão! É complicado explicar esta situação: A Suíça, por um lado, não aceitava,
legalmente, os clandestinos, enquanto por outro lado, fechava os olhos à sua entrada porque precisava deles.
Pagavam impostos... não tinham, porém, direito a nada e eram sujeitos a toda a sorte de injustiças,
algumas delas, escandalosamente, contra os direitos humanos. Os clandestinos viviam mal,
ou melhor, sobreviviam. Tempos heróicos lhes chamo eu!
Em Igreja... um pouco melhor... mas só pouco! Ouvi dizer muitas vezes, até a Bispos,
que à porta da Igreja não se mostrava o passaporte. Infelizmente a imagem não correspondia, nem corresponde, ao
que pretendia significar. Calei-me muitas vezes... por não ter força para lutar...
e até pelo erro tremendo, de que me penitencio, de pensar que falando, faria mal a esta Igreja
que amo! Hoje estou absolutamente certo de que o que Lhe faz mal é a gente não ter a
coragem de Lhe dizer a verdade, é a gente não impedir que aqueles que a dirigem administrativa e
religiosamente, Lhe façam mal quando não são justos! Infelizmente, quase 30 anos depois,
continua a haver o problema “dos” passaportes... mesmo à porta da Igreja!
Somos actualmente cerca de 170.000 portugueses dispersos por terras helvéticas. Comecei por ser
sozinho... agora, no mesmo território da Suíça de língua francesa, há 5 Missões distintas,
mas 8 verdadeiras: Friburgo, Genève, Neuchatel, Valais e Vaud (esta com Lausanne,
Yverdon, Rolle e Montreux onde cada um vê uma Missão... e é-o na prática).
Falo pela área de Lausanne... onde estou, neste momento, mais directamente responsabilizado.
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