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Uma
história da minha Avó (tua Mãe claro!)!
Há uns
largos anos atrás, devia ter a Avó talvez 92 e uma tarde
recebi um recado ansioso: Vai lá que a Avó está mal!
Médico de profissão, apesar de não ser o Médico
Assistente da Avó, era normal que nesses tempos AT
(antes do telemóvel) eu fosse chamado com pressa. Ao
chegar a sua casa e depois de uma rápida observação, o
diagnóstico tinha tanto de evidente como de
surpreendente: colecistite aguda! Mas como, pensava eu,
ainda por cima especialista em Gastrenterologia, se a
minha Avó nunca teve pedras na vesícula? Desagradado com
o diagnóstico e antevendo um rol de possíveis
complicações, disparei do alto da minha ciência médica:
Avó! Tenho de levar-te para o Hospital! A Avó não
demorou nada para me dar o troco: Olha! Eu faço
rigorosamente tudo o que tu disseres, tudo mesmo, mas
para o Hospital não vou! Se tiver de morrer faço-o na
minha casa e não no Hospital! Bom conhecedor do carácter
e determinação da D. Cândida Múrias de Queiroz, percebi
pelo seu tom que nem valia a pena tentar explicar fosse
o que fosse! Não iria para nenhuma instituição nem por
nada deste Mundo! A única coisa que consegui negociar,
foi a ida a um consultório para realizar uma ecografia
para ajudar no diagnóstico. Com a chegada do prof Abel
Tavares, seu médico particular, organizamos as coisas: a
Avó fez tudo o que era necessário, desde os soros e
aspiração naso-gástrica, até às medicações endovenosas,
passando por análises diárias. Todos nós estivemos a
fazer tudo o que podíamos por aquela pessoa já muito
idosa, mas com uma enorme vontade de viver e que, apesar
de fragilizada pela idade e pela doença mantinha o seu
carácter e as suas convicções, porque gostávamos muito
dela e a reconhecíamos como Chefe do Clan Familiar!
Felizmente para todos, mas sobretudo para mim, a Avó
melhorou, não teve nenhuma complicação e em 10 dias
voltou à sua rotina de sempre! Cinco anos mais tarde
teve outra crise igual e nem falei em Hospital!
António Norberto Queiroz |